》Denúncias de corrupção atingem aliados de Milei e pressionam mercados na Argentina – Expresso Noticias

Vamos ao assunto:

Os mercados financeiros argentinos sentiram mais um abalo nesta segunda-feira (25) por conta da política de Javier Milei. Títulos da dívida em dólar, ações e o peso registraram forte queda em meio a denúncias de corrupção que atingem pessoas próximas ao presidente da Argentina.

A crise ganhou força após a divulgação, pela imprensa local, de áudios em que uma voz atribuída a Diego Spagnuolo, então chefe da agência de deficiência, fala sobre supostos esquemas de suborno dentro do órgão. Nos trechos, ele chega a citar Karina Milei, irmã do presidente e chefe de gabinete, como beneficiária de pagamentos ilegais.

Spagnuolo acabou sendo demitido por Milei, mas a polêmica não arrefeceu. Nesta segunda-feira, Milei evitou tratar diretamente do assunto em discurso público. Preferiu dizer que não se preocupa com o que classificou como “ataques da oposição” em ano de eleição. No Congresso, porém, parlamentares oposicionistas já exigem que o Ministério da Saúde, responsável pela agência de deficiência, preste explicações.

Enquanto isso, o impacto foi imediato nos mercados. O título soberano com vencimento em 2038 recuou 2,4 centavos, para 67,37 centavos por dólar, o menor valor em quatro meses. Já o papel de 2041 caiu quase 3 centavos. O índice acionário Merval despencou 4%, após acumular queda de 3,8% na semana anterior. O peso argentino também perdeu força: caiu quase 3% frente ao dólar, cotado a 1.356 por unidade.

Analistas avaliam que os investidores estrangeiros estão atentos não apenas ao escândalo, mas à possibilidade de desgaste político de Milei. O caso é considerado particularmente sensível porque atinge uma área social — a política para pessoas com deficiência — e reforça críticas de que o presidente não se preocupa com os mais vulneráveis.

O escândalo estoura a poucas semanas de uma eleição-chave na província de Buenos Aires e das legislativas de outubro. Milei está apostando em ampliar sua presença no Congresso, hoje controlado pela oposição, mas pode ver seus sonhos frustrados pelo atual cenário político que não o favorece.

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